Os licenciamentos de maio no segmento de caminhões já mostram uma leve melhora no cenário. Segundo dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de janeiro a maio o volume comercializado foi de 17 mil 239 unidades, 19,4% a menos do que no mesmo período do ano passado. O ritmo de queda, no entanto, vem diminuindo. No primeiro bimestre o recuo no acumulado foi de 32,8%, e no comparativo com maio de 2016 as vendas ficaram praticamente estáveis no mês passado, com leve alta de 0,7%, chegando a 4 mil 105 caminhões.
Para o presidente Antônio Megale, da Anfavea, o retrato que se pode extrair dos dados apresentados na terça-feira, 6, é o de um setor que se mantém estável e em busca de oportunidades de negócios em áreas onde há investimento. Para voltar a crescer no mesmo nível de 2015, quando a média mensal de licenciamentos esteve acima das 5 mil unidades, entretanto, será preciso um crescimento do PIB, o Produto Interno Bruto, de 2,5% a 3%:
“O País como um todo está retomando a confiança a partir da melhora do cenário econômico, que é positivo para o setor. Mas ainda muito pouco para que seja refletido em negócios específicos na área de caminhões”.
Segundo projeções do relatório de mercado Focus, divulgado esta semana, o PIB brasileiro alcançará o crescimento esperado pelo segmento de caminhões em 2018. Economistas do mercado financeiro, cujas projeções compõem o documento, esperam que as riquezas produzidas tenham elevação de 2,40% no ano que vem. A agência de classificação de risco Fitch, por sua vez, estima que a economia brasileira cresça 2,5% em 2018, apesar dos riscos de desemprego elevado e de incertezas políticas e fiscais.
Fatores como a taxa de juros baixa e queda na inflação são apontados pela Anfavea como significativos para que os investimentos sejam redirecionados para a compra de caminhões novos. Outro motivador que decide a compra de veículos pesados são as linhas de crédito. Megale considerou que a manutenção dos empréstimos do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para a compra de caminhões e equipamentos agrícolas denota que a confiança está sendo retomada em função de um cenário financeiro favorável à tomada de empréstimos.
Na semana passada o BNDES aprovou R$ 6,7 bilhões para a Finame de janeiro a abril. Esse valor representa aumento de 38% com relação ao mesmo período do ano passado. Desse total as aprovações para a compra de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas somaram R$ 4,4 bilhões no quadrimestre. A aprovação é a última etapa antes do desembolso dos recursos, que deverá acontecer no segundo semestre.
No segmento de ônibus os licenciamentos em maio também se mantiveram estáveis com relação ao mesmo mês de 2016. Foram 1 mil 67 unidades, o que significou pequena alta de 0,2%. No acumulado do ano o cenário ainda é de queda: foram 3 mil 643 unidades, 22,5% a menos do que no mesmo período do ano passado.
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